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Cadeira nº 3: Henriqueta Lisboa

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Primeira mulher a ser eleita para a Academia Mineira de Letras, a poeta, ensaísta, professora e declamadora Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari, sul de Minas Gerais, em 15 de julho de 1901, filha do farmacêutico e conselheiro João Almeida Lisboa, um dos políticos de maior expressão da Primeira República, e de Dona Maria Rita Vilhena Lisboa, mais conhecida como Dona Sinhá, de prendas domésticas e autodidata de bom nível cultural.

Irmã do poeta e radialista José Carlos Lisboa e da pedagoga Alaíde Lisboa, Henriqueta Lisboa cursou o primário no Grupo Escolar Dr. João Bráulio Júnior, em sua terra natal, e cursou o normal, antigo magistério, no Colégio Sion, de Campanha. Em 1924, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, quando o pai foi eleito deputado federal.
Dedicou-se à poesia desde muito jovem, Henriqueta estreou, em 1925, com uma coletânea de poemas, Fogo Fátuo, publicado pela Editora Pongetti do Rio de Janeiro. Depois publicou Enternecimento, em 1929, outro livro de poemas de forte caráter simbolista, que ganhou o prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras, em 1931.

Em 1935, mudou-se, novamente com a família, para Belo Horizonte, pois seu pai ainda na política, foi eleito para a Constituinte Mineira. Na capital mineira, Henriqueta Lisboa foi nomeada Inspetora Federal do ensino secundário, e trabalhou nesse cargo até se aposentar.

Em 1936, publicou Velário, um livro de poemas que representou a mulher mineira no III Congresso Feminino Nacional, realizado no Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 1937, recebeu a medalha e diploma de O Malho, como uma das cinco intelectuais brasileiras laureadas no plebiscito “Levemos a mulher à Academia de Letras”.

Autora de extensa produção cultural, Henriqueta Lisboa escreveu também ensaios literários, traduções e organizou antologias de poesias, colaborou, principalmente, em várias revistas e jornais, como O Malho, Revista da Semana, A Manhã, O Jornal, Kosmos e Festa, nesta ao lado de Gilka Machado e Cecília Meireles.

Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica, Henriqueta Lisboa comunicou-se sempre com escritores e intelectuais de sua geração e cativou amigos e leitores ilustres, como Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Gabriela Mistral e Mário de Andrade. Ao longo de sua vida, foi retratada diversas vezes por sua amiga Aurélia Rubião, cujo retrato foi premiado pelo Terceiro Salão de Belas Artes de Belo Horizonte.

Em 1940, iniciou uma vasta e rica correspondência com Mário de Andrade, amigo e influenciador do modernismo. Corresponderam-se quase ininterruptamente até pouco antes da morte de Mário de Andrade, em 25 de fevereiro de 1945. Ao todo, Henriqueta Lisboa recebeu 42 cartas no período de 24 de fevereiro de 1940 a 20 de janeiro de 1945.

Em 1941, publicou Prisioneira da noite, poemas; em 1943, publicou O Menino Poeta, também poemas. Sua amiga Gabriela Mistral – Prêmio Nobel de Literatura, em 1945 –, foi convidada por Henriqueta Lisboa, com o apoio do então prefeito de Belo Horizonte Prefeito Juscelino Kubitschek, para proferir duas conferências: uma sobre o Chile e outra sobre O Menino Poeta, no Instituto de Educação de Belo Horizonte.

Em 1945, Henriqueta publicou A Face Lívida, poemas, e o ensaio Alphonsus de Guimaraens. No mesmo ano, ingressou no ensino superior como professora de Literatura Hispano-americana e de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, hoje Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Em 1949, já na meia-idade, publicou o seu livro mais conhecido, Flor da Morte, escrito sob forte influência da morte de seu grande amigo e mentor Mário de Andrade. Em 1950, recebeu o prêmio Othon Bezerra de Mello da Academia Mineira de Letras pela mesma obra. Em 1951, começou a lecionar História da Literatura na Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais.

Em 1952, publicou Madrinha Lua, um livro de poemas que recebeu o primeiro prêmio da Câmara Brasileira do Livro, de São Paulo. Em 1955, publicou um lúcido e profundo ensaio, Convívio Poético, obra que recebeu a Medalha de Honra da Inconfidência de Minas Gerais. Em 1956, publicou Azul Profundo, poemas.

Em 1958, publicou Lírica, uma antologia de sua obra poética e nesse mesmo ano Henriqueta Lisboa ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Em 1959, publicou Montanha viva: Caraça, outro livro de poemas, que lhe rendeu uma medalha da Academia Mineira de Letras.

Em 1960, recebeu o diploma de Personalidade de Minas Gerais no setor de literatura, no ano seguinte, em 1961, publicou Antologia poética para a infância e a juventude, edição inicial pelo Instituto Nacional do Livro/Ministério da Educação e Cultura. Em 1962, recebeu medalha conferida pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália, prêmio Presenza d’Itália in Brazile.

Em 1963, publicou Além da Imagem, e no dia 04 de julho do mesmo ano foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras, como sucessora de Mário Casasanta na cadeira nº 26, cujo patrono foi Evaristo da Veiga.

Além de muitos livros de poesia que já foram citados, Henriqueta Lisboa publicou outras antologias de seus poemas, Nova Lírica e Casa de Pedra. Participou também de numerosas antologias poéticas coletivas, no Brasil e no exterior. Ela teve poemas traduzidos para vários idiomas, entre eles o francês, inglês, espanhol, italiano, húngaro e alemão, tais como a antologia Poèmes Choisis, em magnífica tradução da francesa Vera Conradt, e em inglês Chosen poems, tradução de Hélcio Veiga Costa.

Em 1968, aposentou-se como técnica de ensino, pelo MEC, e passou a dedicar-se exclusivamente a seus livros, quando publicou Vigília Poética, um livro de ensaios. Em 1969, publicou Cantos de Dante; Traduções do Purgatório; Poemas escolhidos de Gabriela Mistral e Literatura oral para a infância e a juventude. Ainda em 1969, recebeu o título de Cidadã Honorária de Belo Horizonte.


Fonte: Academia Mineira de Letras

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