Cadeira nº 10: Bárbara Heliodora

Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira (São João del-Rei, c. 1758* — São Gonçalo do Sapucaí, 24 de maio de 1819), conjurada que jamais permitiu a traição do marido e poeta, Alvarenga Peixoto, aos mineiros tidos como inconfidentes pela Coroa Portuguesa.
Representante do arcadismo mineiro, poucos são os poemas que lhe foram atribuídos como “Conselhos a seus filhos”, “Soneto” e “O sonho”. No primeiro poema, o sábio conselho daquela que vivia nas Minas das rebeliões, das montanhas azuis e dos sussurros constantes:
“(...) Applicai ao conversar
Todos os cinco sentidos,
Que as paredes têm ouvidos,
E também podem fallar:
Ha bixinhos escondidos,
Que só vivem de escutar.”
Outrora, o Conde de Assumar retratara a viva paisagem de nossas penhas na carta destinada à Coroa Portuguesa, onde dizia que a “(...) a terra evapora tumultos; a água exala motins; o ouro toca desaforos; destilam liberdades os ares; vomitam insolências as nuvens; influem desordens os astros; o clima é tumba da paz e berço da rebelião.”
O marido morto na prisão, em Luanda, em 1792, degredado perpetuamente para a África. Heliodora, alguns anos depois, perde também sua filha, Maria Ifigênia, morta aos 13 anos: “procura ser feliz na Eternidade,/que o mundo são brevíssimos instantes.”
O mundo são brevíssimos instantes. A sombra da tragédia marca o destino de todos - seja na pegada livre dos senhores, seja no passo silenciado e canoro das mulheres. Alguns destinos foram somente sombras e trevas: os grilhões dos escravizados foram a cadência dos vissungos.
Ao final, a poetisa mineira, alegando demência, obtém de volta parte de seus bens e os lega a seu filho, José Eleutério de Alvarenga.
Se Bárbara Heliodora foi do “norte estrela”, ela brilhou de forma fugaz e distante nas terras que se dobravam e cascateavam no sol claro, nos rios rubro dourados de sangue, nas águas frias da serra e no prenúncio de montanhas cortadas, lavradas e escarificadas de dor.
